Ecopontos de São Carlos se transformam em lixões a céu aberto

Ecopontos de São Carlos se transformam em lixões a céu aberto

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Criados para receber entulhos, móveis e materiais recicláveis que não podem ser recolhidos na coleta de lixo, os ecopontos de São Carlos se transformaram em lixões a céu aberto, isso por conta da má utilização e falta de manutenção, o que tem incomodado os moradores das redondezas por conta do mau cheiro e da exposição aos riscos de doenças.

Eles alegam que a prefeitura não tem feito a limpeza devida e os usuários descartam lixo orgânico nos locais, o que é proibido por lei. A Prefeitura de São Carlos diz que uma licitação tramita para a contratação de uma empresa que reformará os ecopontos da cidade.

Abandono e descaso

No bairro São Carlos VIII, o ecoponto foi desativado em 19 de março deste ano, mas não há sinalização informando que o local não funciona mais e as pessoas continuam descartando lixo no local. A quantidade de entulho (móveis, pneus, restos de construção e até roupas) é tamanha que chega a invadir a rua.

O industrial Paulo Sérgio Gabrielli Frederico trabalha em frente ao antigo ecoponto e diz que não aguenta mais. “A gente tem medo da dengue e outros tipos de doenças, além de ratos”, disse.

O engenheiro ambiental José Augusto Bolzan explicou que o lixo nas proporções que se encontra no ecoponto desativado oferece risco à população. “Animais mortos se decompõe muito rápido, então isso pode gerar uma contaminação de solo”, explicou Bolzan.

Além do risco de doenças, é comum colocarem fogo para tentar diminuir o volume. “Quem tem problema de rinite, as crianças, adoecem e daí são mais gastos com a saúde”, afirmou o eletricista Jonathan Dias Gonçalves.

A situação dos ecopontos em outros bairros da cidade é bem parecida. No bairro São Carlos III falta organização e o lixo orgânico está misturado com entulho. A dona de casa Neuza Aparecida Takaiessu vai ao terreno pegar madeira e não se conforma com a bagunça e o mau cheiro. “Tem lixo ali, não sei se é peixe, carne jogada, está cheio de mosquito, tudo misturado. Nós que precisamos de madeira está aí tudo enterrado. Não tem jeito da gente aproveitar”, disse.

Os ecopontos do Jardim Ipanema e Jardim Medeiros também estão lotados e sem limpeza. A cooperadas do ecoponto do Jardim Paulistano Martha Regina Gonçalves fica indignada com a falta de organização. “Encontramos coisas como lixo orgânico, lâmpada, roupas velhas. O ecoponto foi feito para receber sofá, madeira, entulho e reciclagem”, afirmou Martha. “Há uns 20 dias, vieram tirar sofás, mas você está vendo que o local não está suportando mais”, completou.

“Todo gerenciamento de resíduos sólidos é interligado, toda coleta deveria funcionar, a destinação adequada também. Na verdade, isso poderia ser atrelado a uma cooperativa, o que poderia gerar empregos”, disse o engenheiro ambiental José Augusto Bolzan.

Riscos à saúde

O terreno fica localizado atrás de casas e ao lado de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A técnica de enfermagem Ângela Paschoal é funcionária do posto e está indignada com a situação.

“A gente trabalha com saúde, como ter saúde ao lado de um lixão? Orientamos a população em relação aos cuidados para não pegar dengue, e aqui? Quem pode ser responsabilizado e tomar providências? A pessoa cuida do quintal dela e acaba adquirindo dengue por conta desse lixão ao lado do posto [de saúde]”, disse Ângela.

Licitação  

A Prefeitura disse em nota que realiza, nesta quarta-feira (4), a abertura dos envelopes com a documentação e as propostas de preço das empresas participantes do processo licitatório para contratação de uma empresa para a realização da reforma dos ecopontos.

A Cidade On

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