Portadores de deficiências enfrentam falta de transporte em São Carlos

Portadores de deficiências enfrentam falta de transporte em São Carlos

Compartilhar

Familiares de pessoas portadoras de deficiências e de necessidades especiais de São Carlos afirmam estar preocupados com a paralisação do serviço de transporte público conhecido como “porta a porta”. O serviço prestado pela Suzantur, responsável pelo transporte público da cidade, atende cadeirantes e portadores de necessidades especiais para fins clínicos e educação. No entanto, moradores afirmam que o porta a porta tem falhado em atende-los.

A prefeitura disse que irá verificar como está o serviço na Suzantur. A empresa informou que tem dois micro-ônibus para o atendimento e que irá disponibilizar mais um. Segundo os usuários, há cerca de cinco meses o serviço começou a falhar até parar de vez. Eles reclamam que a falta do transporte tem prejudicado tratamentos de saúde.

“Eles falam que é só para educação, a saúde eles não atendem”, disse Ana Carolina Alvim dos Santos, mãe de Jhenyfer Emanuely, de 5 anos, que nasceu com paralisia cerebral e precisa de fisioterapia e ecoterapia.

Mas sem o serviço, ela só consegue levar a filha na fisioterapia. “Como não tem mais o porta a porta, eu levo ela de ônibus normal no meu colo”, contou.

Sem os tratamentos, a mãe percebeu que o desenvolvimento da filha parou de evoluir. “Na parte de sentar e de equilíbrio ela tinha melhorado bastante, mas está tudo voltando de novo. O medo que ela tinha também está voltando”, afirmou.
O auxiliar de eletricista Elder Chaves Aguilar, cadeirante desde que sofreu um acidente há quatro anos, está preocupado por não conseguir ir para as sessões de fisioterapia. “A musculatura vai encurtando, vai complicando. Tudo e o que você perde em três meses, demora seis meses para recuperar, tudo complica, tem que fazer fisioterapia sempre, a coisa é séria e sem transporte não tem como ir”, afirmou.

A falta de atendimento da população por parte do serviço foi parar no Ministério Público que levou à Justiça que determinou que a prefeitura mantivesse em circulação ônibus regulares e adaptados à população, em todas as linhas do município. O descumprimento pode gerar multa diária de R$ 10 mil.

Mas nem a intervenção da Justiça resolveu. “Tá comprometendo a saúde dele e de todas as crianças que estão precisando no momento. O Davi tem problemas muito sérios no pulmão e é recomendação médica, ele precisa de fisioterapia todos os dias”, afirmou Adriana Varandas, mãe de Davi Luis.

“Eu gostaria que eles enxergassem porque o pessoal não está enxergando os cadeirantes, as pessoas com necessidades especiais, tá em geral, a parte de saúde, a parte de transporte, é uma falta de respeito”, definiu Adriana.

A Secretaria de Transporte e Trânsito de São Carlos disse que vai checar como está a situação do serviço porta a porta com a empresa Suzantur. Em nota, a Suzantur informou que devido ao processo de reorganização da empresa, pós intervenção feita pela prefeitura, o atendimento está sendo feito com dois micro-ônibus adaptados e que a partir de 29 de março, haverá mais um veículo, mas não informou porque o serviço está deficiente há vários meses.

 

A Cidade On

Compartilhar